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Quatro porcos do mato, que pesavam mais de 10 kg cada, foram mortos; crime ocorreu na noite de quarta-feira (6)

A Polícia Civil da Bahia investiga um crime ambiental ocorrido no Parque Zoobotânico da Matinha, em Itapetinga, Sudoeste do estado, onde quatro catitus, conhecidos como porco do mato, foram mortos a tiros por pessoas que invadiram o local.

O crime ocorreu na noite de quarta-feira (6) e foi percebido por guardas municipais que fazem a segurança no local. Eles ouviram os tiros e chamaram a Polícia Militar para dar reforço. Na fuga, os bandidos deixaram dois animais para trás.

Cada bicho, que é nativo das matas da América Latina, pesava 14 quilos, segundo a polícia, e estavam no parque há mais de cinco anos. A polícia não soube informar quantos animais estão no zoológico atualmente e se este foi o primeiro caso de abates no local.

O zoológico de Itapetinga está interditado desde abril de 2016 por decisão da Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que constatou diversas irregularidades no local, dentre elas a falta de automatização de funcionamento por parte de autoridades ambientais estaduais e federais.

O MPF apurou na época que os recintos onde os animais ficavam abrigados estavam, em sua maioria, totalmente inadequados para as espécies que acolhiam ou muito deteriorados, necessitando de melhorias para garantir não só a saúde e o bem-estar dos bichos, mas também a segurança dos visitantes.

O zoológico é de administração da Prefeitura de Itapetinga, com quem o CORREIO não conseguiu contato para comentar no caso.

Para o deputado estadual Marcell Moraes (PV), que atua na defesa dos direitos dos animais e acompanha a situação do zoológico há anos, o crime na Matinha “é o reflexo da irresponsabilidade da administração pública com o equipamento ambiental”.

“Há anos luto pelos animais da Matinha. Já realizei uma visita técnica com a Comissão da Assembleia Legislativa, entrei com ação no Ministério Público solicitando o fechamento do parque e o governo do estado insistiu em negligenciar o maior Parque Zoológico do interior da Bahia”, declarou o parlamentar.

Segundo ele, a invasão do local é corriqueira.

“Já tive notícias que essa não é a primeira vez que invadem o parque. Sistematicamente, animais silvestres são roubados e abatidos por criminosos e ninguém faz nada para conter esses crimes”, disse Moraes.

Urubus

Uma ação civil pública denunciado a situação do zoo foi ajuizada em 2015 na Justiça Federal. Segundo a ação, o parque não tinha autorização do Ibama e nem licença do Inema para funcionar, as instalações e estrutura são precárias e as espécies que ali vivem encontram-se em estado de abandono.

De acordo com Ministério Público Federal,  foram identificadas irregularidades não apenas nos recintos destinados à habitação dos animais, mas também nas clínicas veterinária e cirúrgica, na cozinha e no setor de quarentena de animais. Antes, em 2014, o MPF havia recomendando uma série de medidas que não foram adotadas.

Decisão judicial de 2015 determinou que o município enviasse ao Inema a documentação necessária à concessão de licença ambiental, como: planta apresentando fontes de abastecimento de água e esgoto, plano de gerenciamento de resíduos sólidos, decreto que regulamentasse o funcionamento do parque, dentre outros previstos em notificações do órgão.

A prefeitura de Itapetinga deveria, ainda, adequar os recintos de todos os animais, retirar os macacos da quarentena, alocando-os na ilha, controlar a presença de urubus e apresentar o projeto arquitetônico do Parque.

A adoção das medidas deveria ser submetida ao Ibama, juntamente com o projeto arquitetônico do parque, constando as modificações exigidas em relatórios técnicos. A decisão deveria ser cumprida em 90 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

De acordo com vistoria realizada pelo Ibama, em 2014, foram encontrados diversos problemas estruturais, sanitários, no trato com os animais e na alimentação fornecida no Parque Zoobotânico de Matinha.

Entre os problemas estavam ausência de anotação sobre óbitos, nascimentos e doenças dos animais e deficiência na anotação do censo populacional; marcação incompleta da fauna; falta de segurança das instalações; recintos inadequados ou deterioradas para as espécies que abrigam o local; necessidade de melhoria em diversos setores; deficiências nas operações de manejo dos animais; alimentação inadequada e a presença de urubus, em razão da falta de saneamento no zoológico.