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Uma das  piores estrada do Brasil é a rodovia estadual BA 160, no trecho entre os municípios de Bom Jesus da Lapa e Malhada, no Oeste da Bahia. A cada dia mais crítica, com cerca de 150 km de extensão, o asfaltamento, ou pelo menos o que restou dele na estrada está em precárias condições de trafegabilidade, causando transtornos e colocando em risco a vida de centenas de famílias que diariamente trafegam pelo local, especialmente das 19 comunidades de maioria Quilombolas que usam a estrada como a principal via de acesso a seus territórios.

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Buscando conhecer de perto a referida via, o Site Notícias da Lapa visitou alguns trechos, e conversou com várias representações dos assentamentos próximo à BA 160, onde constatamos a realidade denunciada. “Segunda-feira um ônibus atolou aqui perto. Essa semana eu fui no ônibus pra Lapa, com a mulher quando chegou em certos meios ali, tudo ficava ‘em pé’, quando o ônibus fazia qualquer coisinha já ficava todo mundo com medo. É difícil. Se continuar chovendo como está aí, não tem como a gente ir na cidade”, disse um dos representantes quilombolas.

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Conforme o senhor Dionísio de Jesus, de 69 anos, da região do Assentamento da Batalha, a situação da estrada já chegou ao limite. “Aqui para a gente ir em Bom Jesus da Lapa é uma demora, é uma viagem demorada e os carros quebram tudo. O pessoal coloca o carro ai, só que o carro num aguenta não, qualquer carro que for ai num instante quebra. A estrada é muito ruim”, disse.

Ele lamenta a situação de descaso, e diz que a região foi esquecida, considerando que a principal estrada usada pelas comunidades não da condição de trafegabilidade. “Aqui as comunidades reclamaram de mais:  que aqui é um lugar esquecido. A dificuldade para a gente ir para Lapa é de mais, e não tem ninguém que faça nada. Inclusive, aqui quando chove a gente fica praticamente ilhado. Já denunciamos a situação várias vezes“. Falou.

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Outro representante de moradores disse estar revoltado, inconformado. “É muito ruim a gente não poder fazer nada, a gente fala, fala, e nada acontece. Será que essa região é pior que as outras, será que não temos valor?”,  questionou.

“Fico pensando: Aqui é uma região de povos Quilombolas, assentamentos que liga a Malhada e tantas outras comunidades, mais não é uma área de grãos e minério, talvez está seja a razão de total abandono pelo estado”, disse inconformado.

Durante o percurso encontramos várias pessoas tentando minimizar um pouco a situação, tampando os buracos. “Moço aqui é duro, não sei o que acontece que nada é feito por aqui. A vida do povo que usa essa estrada, é rolamento, e semi eixo, estoura pneu. Já teve gente de adoecer ai pra ‘riba’, que não teve como levar. Já morreu gente por aí, e fica por isso mesmo”, contou.

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Todos os relatos dos moradores estão vinculados ao sofrimento diário das comunidades, especialmente do território Quilombola do Rio das Rãs, que fica há mais de 90 km de Bom Jesus da Lapa, alegam que vivem o descaso, vendo na BA 160 intrafegável um espelho da exclusão e da negação dos direitos, vinculados a falta de políticas públicas para a região. Na ultima semana um ônibus do Rio das Rãs atolou  e quase caiu na ribanceira, e outro da Batalha ficou atolado.

A BA 160 começa em Ibotirama e termina em Malhada, é a principal estrada que liga Bom Jesus da Lapa a dezenove comunidades, a maioria delas quilombola, onde está localizada uma das primeiras comunidades quilombolas reconhecidas no Brasil, Rio das Rãs.

A respectiva estrada foi inaugurada em 1990 e na época a intenção era escoar a produção do projeto Formoso em Bom Jesus da Lapa, inclusive, a estrada era um importante elo para o Norte de Minas Gerais. Foi esquecida, sendo considerada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) por diversas vezes como uma das piores estradas do Brasil. Mesmo assim, até o momento, o assim o governo estadual, quem tem a responsabilidade pela via não mobilizou nenhuma ação para recuperar este importante trecho que dá acesso a essas comunidades.

Apuramos que esta não é qualquer estrada, ela conduz à história do Brasil. Naquela região moram famílias descendentes de africanos escravizados que resistiram bravamente à escravidão e mesmo sob fortes dificuldades mantem vivas as tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo dos séculos. Agora, os seus descendentes não brigam contra o capataz, nem contra o chicote. Brigam por dignidade e igualdade para para poder viver como cidadãos livres e com direitos assegurados. O direito constitucional de ir e vir, sobre uma estrada em condições minimas de trafegabilidade e segurança é um destes.

Com a palavra, o Governo do Estado.

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