Lapa: Há sete anos esperando pela água, representações cobram da Codevasf conclusão da Adutora do Retiro

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Obra totalmente abandonada na localidade de Retiro

Obra que deveria ser a solução para abastecimento de água potável para as comunidades Quilombolas de Pedras, Retiro, Cocho, Capão de Areia, e Bebedouro  tem se tornado um caminho de incertezas, diante do descaso das representações do poder público.

Segundo as representações da Associação Quilombola Agropastoril Cultural de Araçá/Volta do Território onde estas comunidades estão inseridas, a obra começou em 2010 e já tem mais dois anos que está abandonada, sem nenhuma resposta clara da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) de Bom Jesus da Lapa, que é responsável pelo gerenciamento do investimento. Os moradores afirmam que sempre que procuraram a Superintendência a resposta é a mesma, que estão aguardando a ligação da rede elétrica para proceder a conclusão da obra.

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Nesta terça-feira (29) representações da Associação procuraram a Superintendência de Bom Jesus da Lapa mais uma vez e solicitaram um parecer oficial do Superintendente Harley Xavier Nascimento. No documento protocolado, as lideranças afirmam que os moradores não entendem a demora e dizem que a Companhia abandonou a obra. Segundo as representações das comunidades a COELBA foi procurada, no entanto, a empresa disse que só depende da Codevasf, assinar o contrato de rede para a ligação da energia. Diante desse impasse, solicitam uma resposta clara. “Em que situação se encontra a obra? O que de fato está acontecendo? Qual o prazo para o termino da obra?”

No início do mês de julho a nossa equipe do site Notícias da Lapa esteve na localidade de Retiro, conferindo de perto como está a situação da obra da adutora. Lá constatamos que o mato está tomando conta do local, que está no total abandono. Ouvimos moradores e levamos a situação até Codevasf na época, a mesma afirmou que só dependia da ligação da energia para a empresa concluir a obra, ou seja, que depois efetivação da ligação de energia seriam feitos os testes no sistema e o procedimento de conclusão da obra/serviços, e depois seria repassado para o município, visando a operação e manutenção da adutora. Companhia frisou também que estava cobrando do setor  responsável da Coelba, em Salvador.

Já se passaram mais de dois meses, no entanto nada foi feito concretamente e diante das cobranças apresentadas pela população, que ainda depende do auxílio do carro pipa do município para não ficar sem água potável para beber. Enquanto isso vivem a incerteza, de um sonho que parecia possível, agora a cada dia fica mais distante.

Entenda um pouco mais

A obra da adutora do Retiro, que deveria atender cinco comunidades quilombolas se perdeu no tempo.  A primeira empresa que começou a Obra foi  CONSTRUTORA CRISTAL LTDA, a licitação ficou por R$ 2.305.688,01 (dois milhões, trezentos e cinco mil, seiscentos e oitenta e oito reais e um centavos), no entanto depois de 67% da obra executada, no dia 04 de junho de 2012 foi feita a rescisão do contrato, em função da falência da empresa.

Depois disso foi feito uma nova licitação no valor de R$ 2.269.378,10 (dois milhões, duzentos e sessenta e nove mil, trezentos e setenta e oito reais e dez centavos), foi contratada a empresa AÇO 50 ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA, no entanto a obra não foi concluída, não foi feito nem um teste por não ter energia elétrica. É possível que depois de tanto tempo, precise de alguns reparos depois dos testes.

O Sistema de Abastecimento de Água da localidade de Retiro irá atender a seis comunidades do município de Bom Jesus da Lapa, englobando captação de água bruta, estações compactas de tratamento de água, adutoras de água tratada, estações elevatórias de água bruta, estações elevatórias de água tratada, reservatórios, redes de distribuição e ligações prediais para as localidades de Pedras, Retiro, Cocho, Capão de Areia e Bebedouro.

A obra já custou aos cofres públicos o valor de R$ 4.575.066,11 (quatro milhões, quinhentos e setenta e cinco mil, sessenta  e seis reais e onze centavos).

Edição: José Hélio