Nível do Rio São Francisco segue baixo em Bom Jesus da Lapa mesmo com cheias em Minas

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O nível do Rio São Francisco voltou a apresentar queda em Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia, reforçando o cenário de estiagem em um período que, historicamente, costuma ser marcado por cheias. Na manhã deste sábado (24), o Velho Chico marcou 3,78 metros, conforme dados da estação fluviométrica do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), instalada na ponte Gercino Coelho.

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Mesmo com chuvas recentes em partes da bacia do São Francisco, especialmente em Minas Gerais, o reflexo dessas cheias ainda não chegou com força ao trecho baiano do rio. Nas últimas semanas, volumes expressivos foram registrados no Alto e Médio São Francisco, com elevação significativa do nível em cidades mineiras como Pirapora, Buritizeiro e São Romão, impulsionadas principalmente pelas chuvas associadas à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e pela contribuição de afluentes como os rios Abaeté, Velhas, Paracatu e Urucuia.

Apesar disso, a Usina Hidrelétrica de Três Marias segue operando em regime de espera, com defluência baixa, em torno de 160 m³/s. O reservatório apresentou recuperação recente, com volume útil em torno de 61%, após receber grande aporte de água nos últimos dias. Ainda assim, essa elevação momentânea não foi suficiente para provocar uma cheia consistente rio abaixo na Bahia.

Já no Submédio São Francisco, o reservatório de Sobradinho continua em situação delicada, com cerca de 44% do volume útil. Especialistas apontam que, mesmo com a cheia observada em Minas Gerais, o impacto em Sobradinho e no trecho baiano do rio deve ocorrer de forma lenta, podendo levar de 15 a 20 dias, dependendo da continuidade das chuvas nas cabeceiras.

Em Bom Jesus da Lapa, o comportamento do rio segue abaixo do esperado para o período. Desde a última semana, o nível voltou a baixar, mantendo-se em patamar considerado baixo para esta época do ano, quando normalmente o Velho Chico estaria em processo de elevação, com volumes suficientes para alagar áreas naturais e abastecer lagoas marginais, como a tradicional Lagoa da Lapa.

O cenário acende um alerta entre moradores, ribeirinhos e pescadores, que dependem diretamente do rio para atividades econômicas e subsistência. A situação reforça as preocupações com os impactos da estiagem prolongada, da irregularidade das chuvas e das altas temperaturas, que continuam influenciando o regime do Rio São Francisco no oeste da Bahia, mesmo diante das cheias observadas em Minas Gerais.

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