Setembro Amarelo: Psicóloga do CAPS de Bom Jesus da Lapa fala sobre a prevenção ao suicídio

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Psicologa Janara Teixeira/Foto: José Hélio/Notícias da Lapa

O suicídio é considerado um problema de saúde pública e mata um brasileiro a cada 45 minutos e uma pessoa a cada 45 segundos em todo o mundo. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.

Apesar de números tão alarmantes, o assunto é evitado e tratado como tabu, o que só colabora para o aumento dos casos, pois as pessoas muitas vezes não sabem que podem procurar ajuda. Segundo a Organização Mundial da Saúde, existe prevenção em mais de 90% dos casos de suicídio.

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A Reportagem do Site Notícias da Lapa entrevistou a psicóloga e especialista em saúde mental e psicossocial, Janara Teixeira, do Centro de Atenção Psicossocial(CAPS) de Bom Jesus da Lapa, que deu mais detalhes sobre esse assunto tão delicado e que precisa do apoio de toda sociedade. “A campanha Setembro Amarelo visa sensibilizar a população da importância do combate e da prevenção ao suicídio. O dia mundial de prevenção ao suicídio é 10 de setembro, mas desde 2015 a Organização Mundial da Saúde entendeu que seria importante estender para o mês todo devido ao aumento do índice de suicídio. Então a campanha traz informações importantes sobre o que pode levar uma pessoa a tirar a própria vida.”, afirmou.

Janara frisou, que a família é parte fundamental na prevenção ao suicídio. “Precisamos estar mais próximos, e buscar superar as nossas limitações. Nem sempre nós  nos permitimos ouvir e perceber  que o outro está pedindo ajuda, que está  se sentindo só.  Precisamos buscar ajudar, e se também precisarmos, termos que ter coragem de ir  ao encontro do outro. Porque qualquer um pode passar por momento difíceis, e nem sempre o outro tem tempo para nos ouvir, ou para dizer o que precisamos”, disse.

“O problema principal em relação ao suicídio aqui em Bom jesus da Lapa, ainda é o preconceito da pessoa, ou até mesmo dos familiares. De que aquela pessoa precisa de ajuda, não reconhecer. A família e a sociedade não entende,  que aquela  pessoa que tenta um suicídio, ela não quer acabar com a vida dela, ela quer acabar com a dor que está sentindo. Ela está sofrendo e precisa de um jeito para acabar com aquele sofrimento. Você nunca vai encontrar uma pessoa que tentou o suicídio, dizer que ela queria morrer; ela queria resolver aquele problema. O desespero é tão grande que ela não ver saída, e quando ela se situa do fato, ela entra no processo depressivo, e vai de ladeira a baixo; depois de se perguntar: eu fiz isso comigo? “, destacou a psicologa.

Janara afirmou que o CAPs de Bom Jesus da Lapa tem  mais de 3 mil prontuários, o que pode ser considerado  acima do normal, considerando o número  de habitantes da cidade. “Quando a pessoa entra aqui no CAPs é feito um projeto terapêutico. O profissional traça como vai ser os atendimentos, depende muito da demanda do paciente”, e destacou: “a maioria dos atendimentos são de usuários de substância psicoativas e portadores de algum tipo de depressão, depressão com psicose. A demanda assusta, porque pela população da Lapa, a gente deveria ter confortavelmente uma base de 600 pacientes”, frisou.

“Temos buscado oferecer capacitações, porque o profissional de saúde tem que entender, que ele pode ser um técnico de saúde, e pode acolher uma pessoa que tá precisando. Ou pode trabalhar na recepção do posto de saúde, e ouvir aquela pessoa. Porque no geral, as pessoas tem dificuldade de ouvir o outro, e quela pessoa que não consegue chegar aqui para pedir socorro, ela pode chegar em um policlínica, no posto de saúde, hospita, no centro odontológico. Então, o que a gente prega, é que todos saibam ouvir, porque não precisa ser psicologo ou psiquiatra para ouvir alguém que está com o pensamento suicida. É só você falar: olha, eu sei que está difícil, mas eu estou aqui. Com isso você consegue conduzir uma pessoa, e ela deixa de se sentir só”, lembrou.

“Nós temos um número pequeno de casos conclusos de suicídio em Bom Jesus da Lapa, no entanto, temos um número alto de ideação, de pessoa que estão tentando ou planejando. E os número próprios que nós temos chega a ser assustador. Porque quatro paciente em uma semana com o pensamento suicida é muito, e aqui é frequente. Se você pensar que pelo menos uma pessoa das que a gente atende no dia, ela está pensando ou planejando se suicida, e muitos desses casos estão ligados ao uso de subsistências, é preocupante”, alertou Janara.

“Aqui em Bom Jesus da Lapa á procura é muito alta, todo dia chega mãe aqui na porta do CAPs pedindo socorro. E na maioria das vezes o atendimento é para pessoas com idade  acima dos 40 anos, que pela lógica não era para ser gente com essa  idade. Mulher costuma pedir mais ajuda, a mulher aceita o tratamento, mas a demanda masculina é maior. A maioria dos nossos prontuários são femininos, mais não é porque as mulheres adoecem mais, é porque elas procuram mais”.

Janara finalizou lembrando, que Setembro Amarelo é só uma provocação, porque precisamos durante os meses do ano estarmos atentos. “Precisamos ouvir durante todo o ano as pessoas.  Precisamos amar, precisamos abraçar, estar perto das pessoas. E para para fazer isso não precisa ser um profissional da saúde para  ouvir, para abraçar alguém, para você perguntar, para você oferecer um ombro, para você acompanhar uma pessoa a um posto de saúde, ao hospital ou ao CAPS. O sofrimento daquela pessoa não é real aos aos olhos, mais é real dentro de quem sente. Está doendo, existe uma ferida ali dentro que só aquela pessoa sabe onde está localizada. Muita gente fala que quem fala que vai se matar, não se mata, se mata sim. Porque quando eu estou falando que estou mal, que não tem mais jeito, que nada da certo para mim, com pensamento negativos, na verdade eu estou avisando que o meu pensamento está planejando alguma coisa. Porque, quanto mais chato é aquele amigo, aquele colega de trabalho, aquele familiar, mais forte é o pedido de socorro dele. E a gente não pode esperar chegar o mês de setembro para ouvir quem está do nosso lado, podemos fazer isso o tempo todo”.

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