
Dois médicos vinculados ao Programa Mais Médicos relataram enfrentar conflitos institucionais e dificuldades para exercer suas funções no município de Correntina, no oeste da Bahia, desde o início da atual gestão municipal. As denúncias envolvem supostos constrangimentos administrativos, alegada perseguição política e impedimentos considerados irregulares ao exercício profissional.
Segundo os relatos, os médicos Francisco Eduardo Pinheiro da Cunha e Júlio César Machado do Nascimento teriam passado a enfrentar problemas após recusarem convites para alinhamento político com integrantes da administração local. Ambos afirmam que, desde então, vêm sofrendo medidas que dificultam a continuidade do atendimento à população.
No caso do médico Júlio César Machado, há relatos de sobrecarga de atendimentos e da circulação de um abaixo-assinado com críticas à sua atuação. Em contrapartida, moradores do município teriam organizado espontaneamente um documento de apoio, no qual destacam o atendimento prestado pelo profissional e solicitam sua permanência na unidade de saúde.
Já o médico Francisco Eduardo Pinheiro da Cunha, que possui mais de quatro décadas de atuação na saúde pública, afirma ter sido alvo de ações mais graves, como a entrada de agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar em seu consultório, sem apresentação de mandado judicial. Ele também relata tentativas de afastamento e abertura de procedimentos administrativos que, segundo sua defesa, não teriam respaldo legal.
De acordo com os profissionais, os episódios foram comunicados à coordenação do Programa Mais Médicos e ao Ministério Público Federal (MPF). Até o momento, não há registro de desligamento ou sanção aplicada pelo programa federal, que é o órgão responsável pela gestão e fiscalização dos médicos participantes. Apesar disso, os dois profissionais seguem impedidos de exercer suas atividades no município.
A defesa dos médicos é realizada pela advogada Brenda Silva Izar, que afirma haver indícios de irregularidades administrativas e violação de prerrogativas profissionais. A advogada também relata enfrentar dificuldades no exercício de sua atuação no caso.
As denúncias levantam questionamentos sobre possíveis impactos no atendimento à população, especialmente em áreas que dependem do Programa Mais Médicos para garantir acesso aos serviços básicos de saúde. O caso deverá ser analisado pelos órgãos competentes, que poderão apurar os fatos e eventuais responsabilidades.























