Em entrevista Diretor do SAAE esclarece sobre potabilidade da água em Bom Jesus da Lapa

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Em relação à reportagem da reporterbrasil.org.br,  afirmando que dados do Ministério da Saúde indicam que  210 cidades brasileiras estão com água contaminada por por “coquetel” de agrotóxicos, incluindo   Bom Jesus da Lapa, Camaçari, Itabuna, Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe.

Diante da repercussão dos fatos no municípios de Bom Jesus da Lapa,  a Direção do SAAE- Serviço Autônomo de Água e Esgoto emitiu na quarta-feira(25/10) uma nota sobre o abastecimento de água na cidade e sua qualidade, e na última quinta-feira(26)  o Diretor da Autarquia, Gerson Nunes,  esteve na  na Rádio Bom Jesus FM, para esclarecer à população sobre potabilidade da água consumida na capital baiana da fé.

Durante a entrevista o  Diretor Gerson Nunes, deixou claro   à população lapense que a água tratada e servida em Bom Jesus da Lapa  é monitorada conforme determina portaria  Nº 888, DE 4 DE MAIO DE 2021, incluindo os parâmetros mensais, e em todos os laudos que constam digitados no banco de dados SISAGUA e até o momento não foram detectados agrotóxicos acima dos Valores Máximos Permitidos (VMP) estabelecidos nas normas vigentes.

“Nós temos todo um trabalho de acompanhamento e monitoramento – feita análises, inclusive essas relacionadas a agrotóxicos, metais pesados e outros elementos químicos que poderiam de alguma forma promover algum malefício à saúde da população”.

O diretor frisa que o estudo feito pelo site, onde alega que a água está contaminada, de modo que poderia expor a população algum tipo de prejuízo em relação a sua saúde, fala de modo subjetivo, e  não há uma fundamentação clara para a metodologia adotada, já que o SAAE de Bom Jesus da Lapa faz análises de agrotóxico a cada seis meses.

Gerson pontua, que Bom Jesus da Lapa, Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe são os únicos municípios da região que apareceram  na lista, porque são os únicos que fazem o acompanhamento, mostrando que o SAAE lapense tem feito todas as análises que é de sua responsabilidade, a fim de fazer o devido monitoramento, acompanhamento e tratamento da água, dando segurança  a população sobre a qualidade da água lhe é ofertada. E que os municípios da região que não apareceram na lista é porque deixaram de passar as informações, deixando a entender que estão fazendo tudo certo.

Gerson ressalta que a própria reportagem ressalta que, segundo os dados que embasaram a divulgação, a água de Bom Jesus da Lapa  é segura para consumo humano, porque não foi detectada a presença de nenhum agrotóxico em níveis acima dos limites, considerado seguro pelo Ministério da Saúde.

As informações reporterbrasil.org.br são resultados de um cruzamento de dados realizado  a partir de dados do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), do Ministério da Saúde, com testes feitos em 2022.

De acordo com o estudo, o “coquetel” é composto por 27 tipos de agrotóxicos, que estariam sendo repassados à população através da água. Confira aqui a lista das cidades.

A pesquisa identificou uma concentração dentro do limite considerado seguro pelo Ministério da Saúde para cada tipo de substância isoladamente. Ou seja, a simples presença de cada agrotóxico em uma amostra não necessariamente acarreta problemas para a saúde. Porém, a regulação brasileira não leva em conta os riscos da interação entre os diferentes tipos de pesticidas. Segundo ainda o levantamento, as estações de tratamento não conseguem retirar os agrotóxicos da água na concentração encontrada no Brasil.

Escute a entrevista na integra:

 

Segundo  especialistas da área consultados pelo site Notícias da Lapa,  para entender os resultados dos dados analíticos apresentados na reportagem, é necessário observar dois conceitos: Limite de Detecção (LD) e Limite de Quantificação (LQ).

Limite de Detecção é a menor quantidade de analito na amostra, que pode ser detectada, mas não necessariamente quantificada.

Limite de Quantificação (LQ) é a menor quantidade do analito na amostra, que pode ser quantitativamente determinada com precisão e exatidão.

A divulgação dos dados levantados junto ao Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) e apresentados na reportagem, foi considerado apenas o Limite de Detecção, que geralmente está abaixo da curva do método. Portanto, para analisar os respectivos agrotóxicos, é necessário analisar os dois conceitos – incluindo também o Limite de Quantificação.

No caso de Bom Jesus da Lapa, todos os limites de quantificação são mais baixos do que os valores máximos permitidos. Ou seja, mesmo na hipótese de resultados quantificáveis a partir das metodologias disponíveis atualmente, as amostras da capital baiana da fé atenderiam ao padrão de potabilidade definido pelo Ministério da Saúde.