Fundo partidário paga empresas de dirigentes, salário de parentes, de amigos e de políticos sem mandato

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Foto: Ilustrativa

Um levantamento feito a partir das prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral revelou que em 2019 vários partidos utilizaram dinheiro público para pagar seus dirigentes, empresas ligadas a eles, amigos, parentes e políticos que não conseguiram se eleger. As informações foram publicadas pelo jornal Folha de São Paulo, neste domingo (9).

Segundo a publicação, no ano passado, foram gastos um total de R$ 937 milhões, no entanto, 90% deste dinheiro foi distribuído às legendas seguindo a proporção do desempenho que os partidos tiveram nas últimas eleições.

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O PSL, partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se elegeu, está entre os partidos que mais recebeu verbas do fundo partidário. De acordo com a reportagem, o partido pagou funcionárias que foram indiciadas pela Polícia Federal (PF) por suspeita de terem sido candidatas laranja nas últimas eleições, além de pessoas citadas no inquérito das “rachadinhas” da Assembleia do Rio de Janeiro e até um amigo do presidente Jair Bolsonaro, que nunca desempenhou nenhuma atividade política partidária.

Além disso, o PSL também pagou mais de R$ 11 mil mensais à mulher do deputado do Rio Grande do Sul Nereu Crispim, Carolina Lomba. Ainda segundo a reportagem, em fevereiro, houve registro de gastos por parte do partido com carros, restaurante e mobiliário de luxo e muitas outras despesas.

A Urissanê Comunicação, um dos maiores fornecedores contratados pelo PT, recebeu R$ 5,5 milhões no ano passado. O proprietário da empresa é Otavio Augusto Antunes da Silva, que disputou eleições pelo partido nos anos de 2000 e 2004 e também foi assessor parlamentar do partido na Assembleia Legislativa de São Paulo no período de 2005 a 2016.

O PTB, destinou em 2019 aproximadamente R$ 300 mil ao dirigente do partido, a título de prestação de serviços técnicos e profissionais. Já o PROS, que é está sendo investigado por desvio de recursos, paga salários ao fundador do partido, Eurípedes Jr., parentes, amigos e até o piloto do helicóptero que a sigla comprou com dinheiro público.

O Republicanos de São Paulo contratou a empresa Iave Assessoria, que pertencente a um filiado do partido, pelo valor de R$ 133 mil. Além dele, o Patriota, PL e Podemos também têm exemplos na mesma linha. Parentes do presidente do Patriota, Adilson Barroso, recebem salários do partido. O ex-presidente do PRP, Ovasco Resende, que se juntou ao Patriota, chegou a somar o salário dos dois partidos em junho, um total de aproximadamente R$ 60 mil.

O PL pagou R$ 11 mil mensais à esposa do deputado estadual de São Paulo, André do Prado, Clarisse Johara. Caso parecido acontece no Podemos. O filho do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) ganha R$ 11 mil por mês do partido, além disso, familiares de dirigentes da legenda também estão com seus nomes na folha de pagamento.

O PSC tem na lista de pagamento, a mulher do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, a mãe de um deputado, além de alguns pastores. A primeira-dama do Rio de Janeiro, Helena Witzel, recebeu desde janeiro do ano passado mais de R$ 350 mil brutos da sigla. Agência Brasil.