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FLIVEC 2026 encerra programação com Travessia Literária pelas águas do Velho Chico e celebração da cultura no Quilombo Barrinha

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A FLIVEC – I Feira Internacional e II Feira Territorial do Território de Identidade Velho Chico encerrou sua programação neste sábado (19) em um cenário que traduzia parte da essência do evento: as águas do Rio São Francisco e a Comunidade Quilombola Barrinha, em Bom Jesus da Lapa.

Depois de três dias de literatura, música, arte, educação, poesia e manifestações culturais, a Travessia Literária pelas águas do Velho Chico levou a programação para dentro do território, aproximando artistas, convidados, estudantes, professores e moradores de uma experiência marcada pela paisagem, pela memória e pelo modo de vida das comunidades ribeirinhas.

O rio, que esteve presente na temática da feira, ganhou um significado ainda mais forte durante a travessia. As águas que atravessam o território também carregam histórias, lembranças, cantos, saberes e experiências de gerações que vivem às suas margens.

Dividida em quatro lanchas, a Travessia Literária propôs diferentes formas de olhar para essa relação. “Das Águas à Voz que Conta”, “Da Correnteza ao Verso Cantado” e “Do Rio à Memória que Resiste” foram os temas que conduziram os momentos de conversa, poesia e música durante o percurso.

 

Mais do que uma atividade de encerramento, a travessia proporcionou uma vivência daquilo que a FLIVEC buscou colocar em evidência: a cultura não está somente nos livros, nos palcos ou nos espaços institucionais, mas também nas experiências cotidianas das comunidades e na relação das pessoas com o território onde vivem.

Na Barrinha, essa proposta ganhou ainda mais força. A comunidade recebeu os participantes para um momento de convivência, com café compartilhado e uma programação que aproximou diferentes manifestações artísticas da realidade e dos saberes do povo ribeirinho e quilombola.

O projeto “Tecendo Culturas” reuniu literatura, teatro, música e poesia. Um dos destaques foi o “Um Pé de Poesia no Sertão”, espaço de leitura que permaneceu disponível durante os três dias da FLIVEC, aproximando livros, leitores e a comunidade. Mais do que uma instalação dentro da programação, a iniciativa buscou incentivar o hábito da leitura e ampliar o acesso à literatura, colocando diferentes obras ao alcance do público.

Ao final da feira, os livros utilizados no espaço foram doados para a escola e para a comunidade do Quilombo Barrinha, fazendo com que a proposta de incentivo à leitura ultrapassasse os dias do evento. A iniciativa deixou um acervo permanente para estudantes e moradores, reforçando a importância do acesso aos livros, à escrita e às diferentes formas de conhecimento e expressão.

A programação contou ainda com o Grupo Teatral La Zuca’Art, com Fêh Calheiro, que apresentou o espetáculo “O Canto das Águas e o Segredo do Nego d’Água”.

Também fizeram parte das atividades o encontro musical entre João do Couto, Carlos Villela e Dandara Luanda, a apresentação do Grupo EuNegro e o espetáculo teatral “O que Te Define?”, com Rian Dart.

A recepção da comunidade ficou sob responsabilidade de Helena Pedra, liderança comunitária do Quilombo Barrinha, em um encontro que aproximou artistas e moradores e transformou o encerramento da feira em uma experiência de troca e convivência.

O cenário também foi parte importante desse momento. As águas do Velho Chico, a paisagem da Barrinha e a presença da comunidade deram à despedida da FLIVEC uma simbologia própria: a feira terminou onde muitas das histórias que ela buscou valorizar continuam sendo vividas e transmitidas.

 

 

 

Ao longo de três dias, a FLIVEC colocou em diálogo literatura, música e resistência, conectando diferentes expressões culturais com as águas, a fé, o sertão e as comunidades do Território de Identidade Velho Chico.

Na travessia pelo rio e na chegada à Barrinha, a feira encontrou uma forma de transformar seu próprio tema em experiência: leitura, música e cultura vivenciadas dentro do território, ao lado das pessoas que fazem parte de sua história.

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