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Mobilização por melhores preços da banana reforça importância da união entre produtores do Projeto Formoso

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Foto: Notícias da Lapa

Por José Hélio de Almeida Batista – Registro SRTE/BA nº 560

A mobilização realizada na quinta-feira (27) por produtores rurais do Projeto Formoso, em Bom Jesus da Lapa, foi muito além da reivindicação por um preço mais justo para a banana. O movimento trouxe novamente para o centro do debate uma questão que considero fundamental para o momento atual do perímetro: a necessidade de união, organização e planejamento coletivo dos produtores.

Liderado pela Fruta do Oeste, o ato reuniu agricultores que defenderam a definição de um preço de referência para a banana comercializada no Projeto Formoso. Durante a mobilização, houve bloqueio temporário da entrada e saída de caminhões, enquanto os produtores aguardavam uma negociação com o setor comercial.

Segundo o presidente da Fruta do Oeste, José Sabino, a banana-prata de primeira qualidade vinha sendo oferecida entre R$ 30 e R$ 35 por caixa, enquanto o custo de produção ultrapassava R$ 50. A diferença ajuda a explicar a insatisfação dos agricultores e a dimensão do problema enfrentado por quem está na ponta da produção.

Mas existe uma questão ainda maior por trás da discussão sobre preço: como os produtores podem se organizar para ter mais força nas negociações?

O Projeto Formoso não é apenas um conjunto de lotes agrícolas. É um gigante da produção de frutas, um dos maiores polos produtores de banana do Brasil e uma referência nacional em agricultura irrigada. São mais de 12 mil hectares de área, com aproximadamente 9,7 mil hectares efetivamente cultivados. A banana representa cerca de 85% da área plantada e a produção anual supera 230 mil toneladas.

De acordo com informações do Distrito de Irrigação Formoso (DIF), a atividade gera cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos, movimentando uma ampla cadeia econômica em Bom Jesus da Lapa e nos municípios da região. A fruticultura irrigada também representa aproximadamente 33% do Produto Interno Bruto (PIB) municipal.

Esses números mostram que discutir o momento do Projeto Formoso não é assunto apenas dos produtores. É também discutir emprego, renda, comércio, transporte, serviços e o desenvolvimento econômico de toda uma região.

Uma atividade dessa dimensão, que colocou Bom Jesus da Lapa entre os grandes centros produtores de banana do país, precisa ser observada com a importância que representa. Quando o produtor enfrenta dificuldades para cobrir seus custos, os reflexos podem ultrapassar os limites das propriedades e alcançar toda a cadeia que depende da produção agrícola.

Outro marco importante foi a conquista da Indicação Geográfica (IG) da banana produzida no Projeto Formoso, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento valoriza a origem, a tradição e as características da produção local e pode ampliar as possibilidades de agregação de valor e acesso a mercados.

É justamente por isso que a mobilização desta quinta-feira merece ser observada para além da discussão momentânea em torno do preço da fruta.

Um dos grandes desafios dentro do Projeto Formoso continua sendo a união entre os produtores. Muitas vezes, enquanto alguns agricultores enfrentam dificuldades, outros entendem que o problema ainda não chegou ao seu lote. Mas, em uma cadeia produtiva integrada, uma crise que atinge parte dos produtores pode, mais cedo ou mais tarde, alcançar todos.

A organização também não pode acontecer somente quando o preço da banana está baixo. Ela precisa existir durante todo o ano. É necessário discutir custos de produção, comercialização, logística, qualidade, mercado, planejamento e estratégias de negociação de forma permanente.

A mobilização pode ser uma oportunidade para os pequenos produtores avançarem na criação de grupos de comercialização, associações ou outras formas de organização coletiva. Quanto mais estruturados estiverem, maior será a possibilidade de negociar de forma planejada e reduzir a vulnerabilidade de quem precisa vender individualmente sua produção.

A ideia de que os produtores precisam “falar a mesma linguagem” não significa necessariamente que todos tenham de enfrentar o mercado da mesma maneira, mas que o setor tenha informações, organização e uma estratégia comum para defender a sustentabilidade da atividade.

E há outro ponto que precisa entrar nessa discussão: o poder público também precisa olhar para o Projeto Formoso com a dimensão que ele representa para Bom Jesus da Lapa.

Se o perímetro responde por uma parcela tão expressiva da economia municipal e sustenta milhares de empregos, as dificuldades enfrentadas pela atividade agrícola produzem reflexos que ultrapassam os limites das propriedades rurais. O fortalecimento da cadeia produtiva, portanto, também deve ser tratado como uma questão de interesse público.

A mobilização desta quinta-feira deixa, assim, uma reflexão importante: o preço da banana pode ser o problema mais urgente, mas a organização dos produtores é uma das principais ferramentas para enfrentar momentos de dificuldade.

O Projeto Formoso já demonstrou sua força na produção de frutas, na geração de empregos, na movimentação da economia e na conquista de reconhecimento nacional por meio da Indicação Geográfica. É uma referência que precisa ser valorizada e fortalecida por quem produz, pelas entidades representativas e também pelo poder público.

Porque, no fim das contas, um produtor sozinho pode até negociar; mas produtores organizados têm muito mais força para defender a atividade que sustenta milhares de famílias e movimenta a economia de toda uma região.

 

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